Fashion Revolution: Debate sobre impacto socioambiental da moda movimenta capital baiana no mês de abril

O mês de abril é marcado em todo o mundo pela discussão sobre as más condições de trabalho na produção de peças e o impacto da indústria da moda no meio ambiente. Celebrado ao longo de uma semana, em Salvador a Fashion Revolution Week acontecerá entre 26 e 29 de abril, com programação no Ateliê Lull e no Lalá Multiespaço, ambos no bairro do Rio Vermelho. Esta é a segunda vez que capital baiana recebe o evento. A atividade é uma realização da Justa Moda com apoio financeiro da Secretaria de Cultura da Bahia, através do edital de Economia Criativa do Fundo de Cultura.

“Salvador é uma capital com grande consumo de produtos de moda, com presença forte de grandes marcas nacionais e internacionais de fast fashion. A gente tem consumo dessas marcas que se utilizam da mão de obra análoga à escravidão na mesma proporção que capitais maiores, como Rio e São Paulo. Já estava na hora de a gente começar a pensar nisso, até para incentivar as marcas locais a começar a produzir de maneira mais alinhada a esses conceitos”, explicou Ana Fernanda Souza, representante do Fashion Revolution na cidade.

Especialistas, profissionais e militantes da causa foram convidados a ministrar cinco oficinas e participar de três rodas de discussão sobre a realidade da indústria. Entre os nomes que figuram na programação estão André Campos, da ONG Repórter Brasil, que desenvolveu o aplicativo Moda Livre; Kiko Kislanky e Zé Pimenta, da marca soteropolitana Euzaria; Mari Pelli, articuladora do movimento Roupa Livre e desenvolvedora do aplicativo homônimo; Marina Colerato, editora do site Modefica; e Phaedra Brasil, professora do Senac-BA.

De acordo com Ana Fernanda, a intenção é que todos os participantes das oficinas e bate-papos, ambos com entrada gratuita, saiam sensibilizados para a causa. “Não é evento fechado para quem é militante e ninguém precisa sair de lá tipo ‘pronto, a partir de agora sou um consumidor superresponsável e faço todas as minhas roupas’. A gente não precisa decretar o fim da moda, porque isso seria impossível, mas fazer uma revolução. Viver a moda, mas de um jeito diferente. Com as experiências que as oficinas vão proporcionar, a gente espera ajudar as pessoas a pensar nisso”, acrescentou.

Programação – Toda a programação é gratuita e será aberta na noite do dia 26 de abril, com a exposição ‘Quem fez sua roupa?’, no Lalá Multiespaço, desenvolvida pelo coletivo Caixa Preta Projetos especialmente para o encontro. Os visitantes serão estimulados a se fotografarem com a roupa pelo avesso e a etiqueta virada para frente, para questionar às marcas quem produziu tais peças. A ação é tradicional no Fashion Revolution e pressiona as empresas a dar mais transparência ao seu processo de produção. Nos demais dias de programação, o Lalá receberá bate-papos e bazares, enquanto que no Ateliê Lull acontecerão oficinas de costura, customização e desenvolvimento de acessórios.

No dia 27 de abril, a programação será toda no Ateliê Lull. Das 9h às 13h, Ana Fernanda Souza fará a Oficina Justa Saia – Moda, Sustentabilidade e Costura, em que as participantes terão seus primeiros contatos com a máquina de costura para produzir suas próprias saias, enquanto conversam sobre a cadeia de produção da moda. Entre as 14h e 18h, Thais Faria vem do Rio de Janeiro para comandar a Oficina Roupa Re-feita, com técnicas simples de customização e upcycling para dar nova vida a peças usadas.

No dia 28 de abril, a oficina com Thaís Faria se repetirá no Ateliê Lull, dessa vez entre as 9h e 13h. Durante a tarde, da 14h às 18h, Adriana Costa traz para os participantes a Oficina Acessórios com Resíduo Têxtil. Responsável pela marca Agama, Adriana ensinará técnicas adotadas em seu trabalho para o desenvolvimento de acessórios originais e sustentáveis a partir de resíduos têxteis. No mesmo dia, o Lalá Multiespaço receberá pela manhã (10h às 12h) um encontro de blogueiras, com a presença de Ana Soares, do blog Hoje Eu Vou Assim Off.

A partir das 14h até as 18h, Mari Pelli ministrará a Oficina O Futuro da Roupa, para estimular os participantes a construir um guia prático sobre o futuro da moda a partir de projetos e negócios mais alinhados com o mundo em que vivemos. A oficina será concluída com o lançamento local do aplicativo Roupa Livre, que estimula a troca de roupas de segunda mão.

Já no dia 29 de abril, a programação será concentrada no Lalá. Com início às 10h, Mari Pelli (Roupa Livre), Kiko Kislanky e Zé Pimenta (Euzaria), André Campos (ONG Repórter Brasil) e Ana Beatriz Simon (Uneb) comandam o Bate-papo Faça Algo – Caminhos para uma Moda Diferente. A conversa segue até as 12h, com entrada franca. No turno da tarde, entre as 16h e 18h, é a vez do Bate-papo Quem Faz a Revolução da Moda – Panorama da Indústria da Moda de Hoje. Participam da mesa Phaedra Brasil (Senac-BA), Marina Colerato (Modefica) e Adriana Costa (Agama).

Durante os dias 28 e 29 de abril, o Lalá Multiespaço receberá ainda um bazar e feira pelo Fashion Revolution, com funcionamento das 10h às 20h. Os expositores serão selecionados pela curadoria do evento, a partir do alinhamento com as propostas sugeridas pelo movimento.

Fashion Revolution – A campanha Fashion Revolution 2017 lança o tema Money Fashion Power para se discutir o fluxo do dinheiro e as estruturas de poder dentro da cadeia da moda. Visto que os recursos financeiros são tão mal distribuídos, quem ganha e quem perde nesse sistema? A indústria da moda é bastante representativa, tanto em termos econômicos quanto socioculturais, mas muitas vezes o glamour das passarelas escondem bastidores bem diferentes. A produção e o consumo de moda podem estar relacionados a casos de trabalho análogo à escravidão e impactos ambientais irreparáveis.

Como surgiu o Fashion Revolution? No dia 24 de abril de 2013, uma tragédia em Bangladesh abalou o mundo: o edifício Rana Plaza, que abrigava diversas confecções de roupas (muitas produziam em larga escala para renomadas marcas globais) desabou, causando a morte de 1.134 trabalhadores e deixando outros 2.500 gravemente feridos. Para dar um basta à essa realidade, que infelizmente acontece com frequência, nasce em Londres o Fashion Revolution.

Com os objetivos de conscientizar os consumidores sobre os impactos sociais e ambientais da cadeia da moda, exigir transparência e celebrar as boas práticas, o movimento cresceu e hoje está presente em 92 países. No Brasil, atua há 3 anos realizando ações e eventos que promovem mudanças de mentalidade e comportamento, não só dos consumidores, mas também de empresas e profissionais da moda. A conscientização é o primeiro passo para que poderosas transformações sejam concretizadas na prática.

Entre os dias 24 e 30 de abril de 2017 será celebrada a Fashion Revolution Week, em mais de 90 países. No Brasil, teremos eventos em diversos estados e ações realizadas pelos estudantes e interessados em moda. Em Salvador, acontecerá entre 26 e 29 de abril, no Lalá Multiespaço e Ateliê Lull, ambos no Rio Vermelho. Para colocar o plano, de um mundo da moda melhor, em ação, a pergunta é simples: Quem fez minhas roupas?. Para participar e ajudar a divulgar, é só vestir uma peça de roupa do lado avesso, fotografar e compartilhar com a hashtag #quemfezminhasroupas e #fashionrevolution.

Mais infos no site: fashionrevolution.org | twitter e instagram @Fash_Rev_BRASIL